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O agronegócio em Goiás é, historicamente, a principal locomotiva do desenvolvimento econômico e da geração de empregos do Estado. O trabalho no campo sustenta desde os pequenos municípios até a capital, garantindo alimento farto na mesa dos brasileiros e um volume recorde de exportações. No entanto, produzir da porteira para dentro exige enfrentar obstáculos severos da porteira para fora.

Muitas vezes, a narrativa política foca apenas nos números superlativos da safra, esquecendo que quem planta e colhe sofre diariamente com estradas ruins para o escoamento, insegurança jurídica e falta de conectividade nas propriedades. Neste artigo, vamos aprofundar os gargalos que ameaçam a competitividade no campo e entender como políticas de Estado estruturantes são fundamentais para garantir a paz e o lucro de quem produz.

Quais são os maiores desafios do agronegócio em Goiás hoje?

A agricultura e a pecuária modernas são indústrias a céu aberto. O produtor rural precisa lidar com o risco imprevisível do clima, o que torna ainda mais urgente que o Governo do Estado resolva os problemas que estão sob o seu controle. O avanço tecnológico no campo esbarra, frequentemente, em três obstáculos crônicos de infraestrutura e gestão:

O custo logístico do escoamento: o tráfego intenso de bitrens carregados de soja, milho e cana-de-açúcar exige uma malha viária impecável. Quando as rodovias estaduais (GOs) e as estradas vicinais estão esburacadas, o custo do frete dispara, a manutenção dos caminhões consome a margem de lucro e o produto perde competitividade no mercado internacional.

Acesso a crédito sem burocracia: o pequeno e médio produtor, em especial, sofre com a lentidão das linhas de crédito para maquinário e custeio da safra. Quando o financiamento atrasa, perde-se a janela ideal de plantio.

Insegurança e falta de conectividade: o roubo de defensivos agrícolas, gado e maquinário pesado é uma dor real. Além disso, a falta de sinal de internet e telefonia na zona rural impede a adoção de tecnologias de agricultura de precisão (como tratores guiados por satélite) e dificulta o acionamento rápido das forças de segurança.

O agronegócio não pode ser lembrado pelo Estado apenas na hora de pagar impostos. O governo precisa ser um facilitador que pavimenta estradas, simplifica licenças ambientais e garante segurança armada no campo, permitindo que o produtor foque no que sabe fazer: plantar e colher.

As bases da agroindústria: o legado de Marconi Perillo

Quando avaliamos o salto de produtividade do campo goiano nas últimas décadas, é fundamental reconhecer os alicerces econômicos que permitiram essa transformação. Durante os mandatos de Marconi Perillo, Goiás deixou de ser um mero exportador de grãos in natura (matéria-prima sem valor agregado) para se transformar em uma das maiores potências agroindustriais do Brasil.

O planejamento estratégico das gestões focou em verticalizar a produção, ou seja, garantir que a soja, o milho e o boi fossem processados dentro do Estado, gerando empregos locais. Entre os pilares dessa revolução, destacam-se:

1. A atração massiva de agroindústrias

Através de políticas de incentivo agressivas e responsáveis, como os programas Produzir e Fomentar, o Estado atraiu gigantes do setor de alimentos, usinas de etanol e indústrias de laticínios para o interior. Isso criou um mercado consumidor gigantesco na porta das fazendas, garantindo a compra da produção dos agricultores locais com melhores preços e menor custo de transporte.

2. A articulação dos fundos de desenvolvimento (FCO)

Houve um esforço contínuo de articulação política para desburocratizar o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Com o crédito facilitado, milhares de produtores puderam modernizar suas frotas de tratores, instalar pivôs de irrigação e construir armazéns e silos, reduzindo as perdas na pós-colheita.

3. Integração viária e expansão energética

Para sustentar o aumento da produção, a administração executou programas de eletrificação rural, levando energia trifásica para dentro das propriedades — requisito básico para ligar resfriadores de leite e secadores de grãos. Paralelamente, o avanço do asfalto em rodovias cruciais no Sudoeste, Norte e Vale do Araguaia interligou as regiões produtoras aos polos industriais e à ferrovia Norte-Sul.

Como o Estado deve atuar para o futuro do agronegócio?

Para que o agronegócio em Goiás continue batendo recordes mundiais, o planejamento logístico e tecnológico precisa ser elevado a um novo patamar. O Estado do futuro deve atuar como parceiro direto do produtor rural.

Isso significa acelerar a Parceria Público-Privada (PPP) para levar fibra óptica e antenas de internet para todas as regiões agrícolas, permitir a renovação automática de licenças ambientais para produtores com histórico de regularidade e expandir agressivamente o Batalhão Rural da Polícia Militar, criando cinturões de segurança monitorados nas fazendas. Quando o campo tem segurança, logística e crédito, a cidade inteira colhe os frutos do desenvolvimento.

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