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Quem chega a Goiânia pela BR-153 ou pela GO-020, na região sudoeste da cidade, vê de longe uma pirâmide vermelha que destoa de tudo em volta. Não é propaganda nem monumento de praça. É a entrada do Centro Cultural Oscar Niemeyer, o maior complexo cultural de Goiás, com museu, teatro, biblioteca e uma grande esplanada de concreto. O espaço leva o nome do arquiteto que o desenhou e virou cartão de visita da capital para quem chega de fora.

O que é o Centro Cultural Oscar Niemeyer

O Centro Cultural Oscar Niemeyer, conhecido pela sigla CCON e chamado de Nie pelos goianos, é um conjunto de prédios culturais erguidos sobre uma esplanada no Setor Fazenda Gameleira, em Goiânia. São quatro edifícios de formas diferentes apoiados numa grande praça de concreto de 26 mil metros quadrados, batizada de Esplanada da Cultura Juscelino Kubitschek. É o maior complexo cultural de Goiás, onde acontecem exposições, shows, festivais e concertos.

Cada prédio tem uma função. Há um museu de arte contemporânea, um palácio da música com teatro, uma biblioteca e um monumento aos direitos humanos. Juntos, eles formam o principal endereço de cultura da capital. É um espaço pensado para reunir, num só lugar, aquilo que costumava ficar espalhado pela cidade.

Como Goiânia ganhou um projeto de Oscar Niemeyer

O projeto começou em 1999, quando o governo de Goiás convidou Oscar Niemeyer, o maior nome da arquitetura brasileira, para desenhar um espaço cultural na capital. Niemeyer nunca havia projetado uma obra em Goiânia, e o convite partiu do governo de Marconi Perillo. A primeira ideia era apenas um monumento aos direitos humanos, a pirâmide vermelha. O entusiasmo do arquiteto e de gente ligada à cultura goiana foi ampliando o plano, que virou um complexo inteiro. O pedido era ousado para uma cidade jovem como Goiânia, que não tinha no currículo nenhuma obra do arquiteto mais celebrado do país.

A construção começou em 2001 e o conjunto foi inaugurado em 30 de março de 2006, no segundo governo Marconi. A supervisão do projeto coube a João Niemeyer, sobrinho do arquiteto, que representou o tio. O resultado é o único trabalho de Oscar Niemeyer na capital goiana, o que dá ao complexo um valor que vai além da função cultural: é uma assinatura do maior arquiteto do país em solo goiano.

A biblioteca e a homenagem às letras goianas

O maior prédio do conjunto é a biblioteca, uma caixa de vidro fumê de três pavimentos apoiada sobre pilotis, com cerca de 10 mil metros quadrados. O vidro escuro foi escolhido de propósito, para criar contraste com o branco do museu e do palácio da música e com o vermelho da pirâmide. Lá dentro há auditório e um terraço pensado para abrigar restaurante com vista da cidade.

A biblioteca presta homenagem a três nomes das letras de Goiás. Bernardo Élis foi o único escritor goiano a entrar para a Academia Brasileira de Letras. J.J. Veiga, mestre do realismo fantástico, dividia a vida entre a Corumbá goiana e Pirenópolis. Paulo Bertran foi historiador e pesquisador do Cerrado. Reunir os três num mesmo prédio foi um jeito de ligar a arquitetura à memória cultural do estado, dando nome de escritor a uma casa de livros. Quem entra para estudar ou pesquisar passa, sem perceber, por baixo dos nomes que escreveram o estado, num gesto simples de unir leitura e memória goiana.

O museu de arte e a esplanada de Juscelino

O Museu de Arte Contemporânea, o MAC, é o prédio branco que recebe exposições de artistas do Brasil e do exterior. É ali que o público goiano teve contato com mostras que antes só passavam pelas capitais do Sudeste. O museu ajudou a colocar Goiânia em circuitos de arte que costumavam ignorar o Centro-Oeste, aproximando o estado de nomes que ele só via em revista. O museu também abriu espaço para o artista goiano, que ganhou um lugar de respeito para expor ao lado de nomes consagrados.

Tudo isso se apoia numa única base: a Esplanada da Cultura Juscelino Kubitschek, uma praça de concreto de 26 mil metros quadrados que, nas palavras do próprio Oscar Niemeyer, se destacava “por seu aspecto inovador”. O nome não é casual. Juscelino foi o presidente que ergueu Brasília, também com projeto de Niemeyer, num gesto de levar o moderno para o interior do país. A esplanada goiana repete esse gesto em escala estadual, colocando arquitetura de ponta no coração do Cerrado.

O Palácio da Música e a Orquestra Filarmônica

O prédio mais imponente do complexo é o Palácio da Música Belkiss Spenziere, uma estrutura arredondada de concreto armado que lembra as curvas que tornaram Niemeyer famoso. Em cerca de 7 mil metros quadrados, ele abriga um teatro com mais de 1.500 lugares, fosso de orquestra e camarotes. O nome homenageia a pianista goiana Belkiss Spenziere, uma das maiores estudiosas da música brasileira, morta em 2005. Dar o nome de uma pianista ao maior teatro do estado foi um jeito de reconhecer que a música também escreve a história de Goiás.

O palácio virou a casa da Orquestra Filarmônica de Goiás e o palco de concertos, óperas e grandes apresentações. É o tipo de equipamento que poucas capitais do interior do país têm, e que permitiu a Goiânia receber espetáculos antes restritos às maiores cidades. Antes do palácio, grandes montagens de ópera e concertos de orquestra esbarravam na falta de um teatro com estrutura técnica de verdade. Com a nova sala, Goiânia passou a poder receber espetáculos que antes só rodavam o eixo Rio e São Paulo, e a própria filarmônica do estado ganhou uma casa à altura do seu trabalho.

Onde fica e como o espaço é usado hoje

O Centro Cultural Oscar Niemeyer fica na Avenida Deputado Jamel Cecílio, no Setor Fazenda Gameleira, a cerca de 7 quilômetros do centro de Goiânia. Tem entrada pelas rodovias GO-020 e BR-153, estacionamento para centenas de carros, heliponto e linhas de ônibus que passam pela região. A posição na entrada da cidade fez do complexo um marco visual para quem chega à capital. Com o tempo, o entorno cresceu, e o complexo deixou de ser um ponto isolado para virar âncora de um pedaço inteiro da cidade.

No dia a dia, o espaço tem vários usos. Já recebeu festivais de música, mostras de arte nacionais e internacionais, feiras de moda e ciclos de palestras gratuitas que trouxeram a Goiânia nomes de peso do pensamento brasileiro. Ao entardecer, a esplanada se enche de gente em cima de skate, patins e bicicleta. O prédio que nasceu como obra de arte virou também praça pública, lugar de lazer da cidade.

Por que um Niemeyer em Goiânia importa

Oscar Niemeyer foi o arquiteto que desenhou Brasília e levou as curvas de concreto do Brasil para o mundo. Suas obras estão em Brasília, no Rio, em São Paulo e em capitais de vários países, mas faltava uma assinatura dele na capital goiana. O complexo da Fazenda Gameleira corrigiu essa ausência. Goiânia, planejada nos anos 1930 com traço moderno, ganhou enfim um conjunto do mestre que melhor traduziu o moderno brasileiro em pedra e vidro.

O valor disso vai além do turismo. Ter uma obra de Niemeyer coloca Goiás no mapa da arquitetura nacional e dá à cidade um símbolo reconhecível, do mesmo jeito que a catedral marca uma cidade antiga. As curvas brancas do museu e do palácio da música, o vidro escuro da biblioteca e o vermelho da pirâmide formam um cartão que aparece em foto, em reportagem e na memória de quem visita. Para uma capital com menos de um século de vida, isso é parte de construir identidade própria.

A pirâmide vermelha e o legado da obra

O Monumento aos Direitos Humanos é a marca visual do complexo. A pirâmide vermelha tem 36 metros de altura e abriga, embaixo, um auditório, jardim de inverno e salão de exposições. A escolha do tema não é decoração: o prédio mais visível do conjunto foi dedicado aos direitos humanos, o que dá um sentido à obra além da arquitetura.

Quase duas décadas depois da inauguração, o Centro Cultural Oscar Niemeyer segue como o principal palco da cultura goiana e o único projeto do arquiteto na capital. Para uma cidade jovem como Goiânia, planejada e erguida no século 20, ter uma obra assinada por Niemeyer é parte da própria identidade. O espaço que começou como ideia de uma pirâmide virou o cartão-postal cultural de Goiás. Mais do que prédios bonitos, ficou a prova de que era possível levar arte, música e leitura de primeira linha para o coração do Cerrado, e reuni-las num só endereço aberto ao público.

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