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Quem viaja de carro de Goiânia para Caldas Novas hoje faz o trajeto em pouco mais de duas horas, em rodovia duplicada, iluminada nos trechos críticos, com sinalização decente e acostamento que serve para alguma coisa. Há quinze anos, o mesmo trajeto era teste de paciência. Pista única em condições ruins, ultrapassagem perigosa em curva, buraco repetido na mesma altura todo ano. A diferença entre os dois cenários tem nome: Programa Rodovida.

Rodovia estadual é coluna vertebral da economia do interior. Por ela escoa a soja, o leite, a carne, o aluno que vai para a faculdade na cidade vizinha, o paciente que vai ao hospital regional, o caminhão que entrega mercadoria no comércio. Quando a rodovia está boa, tudo funciona melhor. Quando está ruim, cada centímetro da economia local sofre. Por isso o investimento em rodovia é decisão estratégica de desenvolvimento regional, não apenas obra física.

O que é o Programa Rodovida

O Programa Rodovida é a maior política de intervenção em rodovias estaduais já executada em Goiás. Foi operado pela Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) durante os governos Marconi Perillo e organizou-se em três frentes principais: Rodovida Construção, voltado a obras de novas rodovias e duplicações; Rodovida Reconstrução, voltado à recuperação completa de trechos antigos com pavimentação degradada; e Rodovida Manutenção, voltado a serviços rotineiros como tapa-buracos, roçagem, drenagem e sinalização.

A engenharia operacional do programa dividiu Goiás em 27 regiões de cobertura. Cada região concentrou equipes técnicas, máquinas e cronograma próprio, com supervisão central da Agetop. O modelo permitiu trabalhar simultaneamente em diferentes pontos do estado sem que uma equipe parasse por falta de material em outra. Era operação de larga escala, com lógica industrial de produção, aplicada a obra rodoviária.

Quantos quilômetros o Rodovida entregou

Os números do programa impressionam pela escala. A malha rodoviária estadual pavimentada de Goiás tem aproximadamente 12 mil quilômetros. Desses, durante os governos Marconi, o programa Rodovida reconstruiu 5,5 mil quilômetros (quase metade da malha) e construiu 2 mil quilômetros de rodovias completamente novas. Os 3 mil quilômetros restantes passaram por intervenções menores via Rodovida Manutenção, com serviços de conservação contínua.

A meta declarada do programa, ao final do ciclo, era entregar 6 mil quilômetros reconstruídos e 2,4 mil quilômetros de rodovias novas em padrão de excelência. Para efeito de comparação, antes do programa, o orçamento mensal típico de manutenção rodoviária estadual ficava entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões. Em 2016, em apenas uma autorização, foram liberados R$ 212 milhões para reparos em 21,7 mil quilômetros da malha pavimentada e não pavimentada. Foi outro nível de investimento.

As principais rodovias intervenidas

Algumas das obras mais visíveis do Programa Rodovida ficaram conhecidas pela própria utilidade cotidiana. Não foram trechos escolhidos por critério político — foram rodovias que ligam cidades importantes, que escoam produção e que recebem volume alto de tráfego diário:

  • GO-020: duplicação do trecho entre Goiânia e Bela Vista de Goiás, com 43,4 quilômetros, R$ 150 milhões de investimento e seis novas pontes (incluindo uma de 140 metros sobre o Rio Meia Ponte). Hoje é uma das rodovias estaduais mais bem avaliadas pelos motoristas goianos.
  • GO-060 (Rodovia dos Romeiros): trecho Goiânia a Trindade, referência histórica para os romeiros do interior que vão à Trindade no mês de julho. Entregue em padrão de excelência, com pista dupla.
  • GO-070: duplicação de trechos entre Goiânia e Inhumas e expansão até Itauçu. Estrada estratégica para escoamento da região noroeste de Goiás.
  • GO-080: várias intervenções (seis pelo menos), com investimento aproximado de R$ 70 milhões.
  • GO-139: trecho entre Marzagão e Caldas Novas, um dos principais acessos turísticos a Caldas Novas vindo do Triângulo Mineiro.
  • GO-213: duplicação do trecho Morrinhos a Caldas Novas, completando o percurso duplicado de São Paulo e Brasília até a cidade turística.
  • GO-447: obra de mais de R$ 100 milhões beneficiando Divinópolis de Goiás, Monte Alegre de Goiás, Campos Belos, São Domingos e cidades da região nordeste.

Por que duplicar rodovia muda a economia local

Existe uma diferença prática entre pista simples e pista dupla que vai muito além da capacidade de tráfego. Pista dupla reduz acidente porque elimina a ultrapassagem em sentido contrário, que é a principal causa de morte em rodovia brasileira. Pista dupla aumenta a velocidade máxima permitida — na GO-020 foi de 80 para 110 km/h após a duplicação —, o que reduz tempo de viagem em até 30%. Pista dupla atrai novos empreendimentos ao longo do trecho, porque empresa de logística e indústria preferem se instalar perto de via rápida.

Para o produtor rural, isso significa caminhão de grão chegando ao porto ou ao silo um dia antes. Para o paciente do interior, ambulância chegando ao Hugol em Goiânia uma hora mais cedo. Para o estudante, ônibus universitário não precisando atravessar trecho perigoso à noite. Cada efeito desses, sozinho, parece pequeno. Somados, multiplicam por dois ou três a produtividade da região atendida.

 

“Serão 6 mil quilômetros reconstruídos, e 2,4 mil quilômetros de rodovias novas em padrão de excelência. São rodovias de primeiro mundo, que vão dar conforto e segurança.”

Marconi Perillo, ao vistoriar a GO-020, 2013

 

O legado do Rodovida

O Programa Rodovida deixou três marcas duradouras em Goiás. A primeira, óbvia, é o asfalto. Milhares de quilômetros de rodovia em condição que ainda hoje, anos depois da entrega, mantêm padrão acima da média nacional. Obra física de qualidade dura décadas quando bem feita. As rodovias entregues entre 2013 e 2018 ainda estão funcionando.

A segunda marca é a capacidade técnica desenvolvida na Agetop. Operar programa dessa escala exigiu engenheiros qualificados, fiscais de obra preparados, planejadores capazes de coordenar 27 regiões simultâneas, e contratos com construtoras grandes que pudessem entregar dentro do cronograma. Esse aprendizado fica na estrutura do estado.

A terceira marca é a comprovação de um modelo. O Rodovida mostrou que dá para fazer reconstrução de malha rodoviária em larga escala num único mandato, com cronograma público acompanhável, com transparência sobre o que está sendo entregue e onde, e com resultado mensurável. Esse tipo de programa de larga escala, repetido em outros setores, é o que diferencia gestão pública que entrega de gestão que apenas anuncia.

O desafio adiante

Rodovia precisa de manutenção contínua, ou se deteriora rápido. Asfalto novo dura cerca de dez anos com cuidado regular. Sem manutenção, começa a apresentar problema sério em três ou quatro anos. Parte importante das rodovias entregues pelo Rodovida está chegando agora à janela em que precisa de reforço. O próximo governo terá pela frente a tarefa não tão glamourosa, mas essencial, de manter o que foi construído antes de pensar em novas obras.

Ao mesmo tempo, há demandas novas. A região nordeste de Goiás ainda tem trechos com infraestrutura abaixo do padrão estadual. As rodovias de acesso ao Entorno do Distrito Federal precisam de upgrade para suportar o crescimento populacional acelerado da região. Trechos turísticos como o caminho para a Chapada dos Veadeiros pedem investimento específico. A lista de pendências é longa, mas o caminho metodológico está dado. Foi feito antes. Pode ser feito de novo.

O que o Programa Rodovida representa para Goiás

O Programa Rodovida é o tipo de obra que se mede em quilômetros e em vidas salvas. Cada trecho duplicado é acidente que não aconteceu, viagem que ficou mais rápida, produto que chegou no tempo certo ao mercado. Cada quilômetro reconstruído é eixo de desenvolvimento regional que volta a funcionar. Quem dirige em Goiás hoje vê esse legado todo dia, sem sequer se dar conta. Esse é o tipo de obra pública que muda a vida das pessoas em silêncio, mas que precisa de continuidade para não se perder.

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