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A falta de água em Goiás é, antes de tudo, uma questão de saúde pública e dignidade humana. Para milhares de famílias, a chegada do período de estiagem no Cerrado traz sempre a mesma angústia: o medo de abrir a torneira e não ter água para cozinhar, tomar banho ou manter a higiene da casa. Bairros que ainda convivem com esgoto a céu aberto lidam diariamente com a proliferação de doenças que lotam os postos de saúde.

A culpa costuma ser jogada na conta da falta de chuva. O clima interfere, mas a verdadeira causa das torneiras secas é a ausência de planejamento de longo prazo. Infraestrutura de água e esgoto é o pilar de uma cidade saudável, e obras de captação de grande porte são a única garantia de que as próximas gerações não vão repetir o ciclo de racionamento.

Por que a falta de água em Goiás afeta tantas famílias na época de seca?

A crise hídrica não acontece da noite para o dia. É o resultado de uma equação perigosa: crescimento urbano desordenado somado à falta de investimento pesado em captação e distribuição. Quando o Estado não se antecipa ao crescimento populacional, o distribuição esbarra em três obstáculos:

  • Esgotamento dos mananciais antigos. Rios e ribeirões que abasteciam pequenas cidades há 30 anos já não suportam o volume exigido por metrópoles ou por bairros superlotados.
  • Perdas na rede de distribuição. A ausência de modernização nas tubulações antigas faz com que o Estado perca milhões de litros de água tratada por vazamentos invisíveis, antes mesmo de a água chegar ao hidrômetro.
  • Peso na saúde pública. A falta de tratamento de esgoto contamina os lençóis freáticos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cada R$ 1 investido em saneamento gera economia de R$ 4 em saúde, com queda especialmente expressiva nas doenças diarreicas que mais atingem crianças.

Saneamento é o investimento de maior retorno social mensurável. Não é gasto: é garantia de sobrevivência e dignidade para uma cidade inteira.

O legado de Marconi Perillo no saneamento de Goiás

Quando se olha para as soluções que efetivamente frearam a crise de abastecimento, o histórico fala por si. Durante as gestões de Marconi Perillo (1999–2006 e 2011–2018), o Governo de Goiás assumiu a responsabilidade de tocar as obras mais complexas e caras da história da Saneago. A estratégia passou longe de soluções provisórias com caminhões-pipa: o foco foi construir infraestrutura de captação que aguentasse décadas.

1. A construção da Barragem Doutor Henrique Santillo (Ribeirão João Leite)

Considerada a maior obra de segurança hídrica da história de Goiás, a Barragem Doutor Henrique Santillo, popularmente conhecida como Barragem do Ribeirão João Leite, foi planejada e executada para garantir água à Região Metropolitana de Goiânia pelos próximos 50 anos. O reservatório armazena 130 bilhões de litros de água e integra o Sistema Produtor Mauro Borges, complexo concluído em 2017 que inclui a Estação de Tratamento Governador Mauro Borges, uma das mais modernas da América Latina. Sem a barragem em operação, a capital e as cidades vizinhas estariam hoje sob racionamento severo.

2. O Sistema Corumbá IV: início das obras para o Entorno do DF

A região do Entorno do Distrito Federal sempre foi o ponto crítico do abastecimento, por conta da explosão demográfica. Foi na gestão de Marconi que se estabeleceu a parceria entre Saneago e Caesb para captação de água no Lago Corumbá IV, em Luziânia, com o objetivo de atender Luziânia, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Novo Gama. As obras começaram em 2011, foram interrompidas em alguns trechos por questões contratuais e atravessaram diferentes gestões até a inauguração da primeira etapa, em abril de 2022. O Corumbá IV abastece hoje 1,3 milhão de pessoas entre Goiás e DF, e sua existência só foi possível porque a parceria foi desenhada e iniciada uma década antes.

3. Fortalecimento da Saneago e expansão da rede de esgoto

Enquanto muitas empresas estaduais de saneamento no Brasil eram sucateadas ou privatizadas em condições desvantajosas, o Governo de Goiás trabalhou para fortalecer a Saneago, transformando-a em uma das empresas de economia mista mais sólidas do país. Os investimentos elevaram de forma expressiva os índices de coleta e tratamento de esgoto em Goiânia e nos principais polos do interior, retirando milhares de famílias do convívio direto com esgoto a céu aberto.

Como modernizar a rede e prevenir nova crise hídrica

Para garantir que a falta de água em Goiás não volte a ser pauta na próxima estiagem, os investimentos não podem parar. O desafio atual exige aplicar tecnologia em larga escala. Três frentes precisam de prioridade:

  • Redes inteligentes com sensores para detectar e estancar vazamentos em tempo real, recuperando os milhões de litros perdidos hoje no caminho entre a estação de tratamento e a torneira.
  • Telemetria e gestão de demanda, com previsão de consumo por região para evitar colapso pontual em períodos de pico.
  • Recuperação das nascentes do Cerrado, com programas de pagamento por serviços ambientais aos produtores rurais que protegem os mananciais.Assegurar acesso à água limpa e ao esgoto tratado não é meta de gestão. É o compromisso mais profundo que o poder público pode firmar com o futuro das famílias goianas.Quer contribuir com a discussão sobre o problema do saneamento público? Clique aqui e envie sua proposta!

    Até a próxima.

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