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Falar sobre reabilitação e inclusão em Goiás é falar sobre o direito de recomeçar. Quando uma família recebe o diagnóstico de uma deficiência intelectual de uma criança, ou quando um trabalhador sofre um acidente grave que compromete sua mobilidade, o mundo parece desabar. O medo do futuro mistura-se com a barreira financeira: afinal, sessões contínuas de fisioterapia, fonoaudiologia e a compra de próteses ortopédicas custam uma fortuna na rede particular.

Muitas vezes, essas famílias se sentem invisíveis para o Estado. A peregrinação em busca de uma simples cadeira de rodas ou de terapia ocupacional pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pode ser desgastante. Neste artigo, vamos aprofundar as razões pelas quais o tratamento especializado é tão complexo de ser mantido e relembrar como Goiás se tornou a maior referência do Brasil no cuidado às pessoas com deficiência.

Por que o atendimento à pessoa com deficiência é um gargalo na saúde em Goiás?

A reabilitação não é um procedimento médico comum. Ela não se resolve com uma única consulta ou com a prescrição de um remédio. É um processo contínuo que exige paciência, tecnologia e uma infraestrutura de ponta. Quando o Governo do Estado não trata a inclusão como prioridade máxima, os pacientes enfrentam três barreiras estruturais cruciais:

A falta de equipes multidisciplinares: um paciente em reabilitação não precisa apenas de um ortopedista ou neurologista. Ele precisa, no mesmo lugar, de psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e fisioterapeutas trabalhando em conjunto. Manter essa equipe completa é caro para os municípios pequenos.

O custo da tecnologia assistiva: cadeiras de rodas motorizadas, próteses de membros amputados, aparelhos auditivos e órteses sob medida são equipamentos de alto custo. Sem um repasse firme do Estado, a fila de espera por esses itens pode durar anos, atrofiando o paciente e atrasando sua evolução.

O isolamento social e escolar: a falta de tratamento precoce faz com que crianças com deficiência tenham extrema dificuldade para se adaptar à escola regular, enquanto adultos perdem permanentemente a capacidade de retornar ao mercado de trabalho.

A maior obra que um Estado pode construir não é feita de asfalto ou cimento, mas de dignidade. Quando o governo entrega uma prótese ou garante a reabilitação de um paciente, ele não está apenas tratando uma deficiência; ele está devolvendo a essa pessoa o direito de ir e vir, de trabalhar e de sonhar novamente.

O legado de Marconi Perillo: a revolução do CRER

Para entender como é possível oferecer um SUS de excelência e padrão internacional, precisamos olhar para o modelo que mudou a história da saúde pública goiana. Durante sua gestão, Marconi Perillo fundou o CRER (Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo), inaugurado em 2002.

O CRER não foi idealizado para ser apenas um hospital, mas sim um complexo de excelência humanizada, projetado para tratar o paciente de forma integral. A criação desta unidade transformou a realidade de milhares de goianos através de três pilares inegociáveis:

1. Atendimento de excelência com padrão ONA

O CRER tornou-se o primeiro hospital público de reabilitação do país a conquistar o nível máximo de excelência (Certificação ONA 3). Pacientes do SUS passaram a ter acesso a piscinas aquecidas para hidroterapia, ginásios de robótica para recuperação motora e laboratórios de análise de marcha, tecnologias antes restritas apenas aos pacientes mais ricos do país.

2. A oficina ortopédica e a entrega de tecnologia assistiva

Para acabar com a fila de espera e o sofrimento das famílias, a gestão acoplou ao CRER uma oficina ortopédica de alta tecnologia. O próprio Estado passou a fabricar, tomar medidas e entregar, de forma totalmente gratuita, próteses para amputados, cadeiras de rodas adaptadas e aparelhos auditivos de última geração, devolvendo a autonomia aos pacientes.

3. Foco nas quatro áreas da deficiência

Diferente de clínicas comuns, a unidade foi planejada para atender as quatro principais frentes de reabilitação: física (acidentes e traumas), auditiva (implantes cocleares e aparelhos), visual e intelectual (como o acompanhamento de crianças com Síndrome de Down e autismo grave), garantindo suporte contínuo para a família inteira.

Como o Estado deve avançar nas políticas de inclusão em Goiás hoje?

Para garantir que a reabilitação e inclusão em Goiás não retrocedam, o Estado precisa ir além das paredes do hospital. O paciente que é reabilitado no CRER precisa encontrar uma sociedade preparada para recebê-lo de volta.

O futuro exige a descentralização: é preciso construir centros regionais de reabilitação no interior (para que o paciente não precise viajar horas de ambulância até Goiânia). Além disso, o Governo do Estado deve criar incentivos fiscais agressivos para empresas que contratarem profissionais com deficiência e investir na capacitação contínua de professores da rede estadual para garantir a verdadeira inclusão de crianças atípicas nas salas de aula.

Um estado forte é aquele que não deixa ninguém, absolutamente ninguém, para trás.

Perguntas frequentes sobre reabilitação no SUS em Goiás

  1. Como conseguir atendimento no CRER em Goiás?

O CRER é uma unidade que atende 100% pelo SUS. Para conseguir uma vaga, o paciente não deve ir direto ao hospital. Ele precisa ir ao posto de saúde do seu bairro (Atenção Básica), passar por um médico e solicitar o encaminhamento. A vaga é gerida pelo Complexo Regulador do Estado.

  1. O SUS fornece cadeiras de rodas e próteses de graça?

Sim. Por meio de unidades de referência como o CRER, o Estado fornece gratuitamente cadeiras de rodas (manuais e motorizadas), muletas, andadores, próteses para membros amputados e aparelhos auditivos, mediante avaliação clínica da equipe médica.

  1. O que é uma equipe multidisciplinar na reabilitação?

É um grupo de especialistas que trabalha junto para tratar o paciente como um todo. Por exemplo: uma pessoa que sofreu um AVC será tratada pelo médico neurologista, fará fisioterapia para recuperar os movimentos, fonoaudiologia para voltar a falar e terapia ocupacional para reaprender tarefas do dia a dia, como segurar um garfo ou pentear o cabelo.

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