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O saneamento básico em Goiás é, antes de tudo, uma questão de saúde pública e de dignidade humana. Para milhares de famílias, a chegada do período de seca (estiagem) no Cerrado traz sempre a mesma angústia: o medo de abrir a torneira e não ter água para cozinhar, tomar banho ou manter a higiene da casa. Paralelamente a isso, bairros que ainda sofrem com esgotos a céu aberto lidam com a proliferação de doenças que lotam os postos de saúde.

Muitas vezes, a culpa da falta de água é atribuída exclusivamente à falta de chuvas. Embora o clima seja um fator, a verdadeira causa das torneiras secas é a ausência de planejamento a longo prazo. Neste artigo, vamos entender por que a infraestrutura de água e esgoto é o pilar de uma cidade saudável e como as obras de captação de grande porte são a única garantia de que as próximas gerações não sofrerão com o racionamento.

Quais os desafios do saneamento básico em Goiás?

A crise hídrica não acontece de um dia para o outro. Ela é o resultado de uma equação perigosa: o crescimento desordenado das cidades aliado ao subfinanciamento das redes de captação e distribuição. Quando o Estado não se antecipa ao crescimento populacional, o cidadão comum se depara com os seguintes obstáculos estruturais:

Esgotamento dos mananciais antigos: rios e ribeirões que abasteciam pequenas cidades há 30 anos já não suportam o volume exigido por metrópoles ou por bairros muito populosos.

Perdas na rede de distribuição: a falta de modernização nos canos antigos faz com que o Estado perca milhões de litros de água tratada devido a vazamentos invisíveis debaixo do asfalto, antes mesmo de a água chegar ao hidrômetro do usuário.

O custo da saúde pública: a ausência de tratamento de esgoto contamina os lençóis freáticos. Estudos comprovam que, para cada real investido em saneamento básico, o Estado poupa quatro reais em tratamentos médicos para doenças gastrointestinais, especialmente em crianças.

O saneamento básico é a obra pública menos visível: os canos ficam enterrados, não rendem inauguração com placa. Mas é a obra que mais salva vidas.

Saneamento básico em Goiás: o legado de Marconi Perillo

Para entender como se resolve a crise de abastecimento no presente, é indispensável estudar as soluções definitivas que foram aplicadas no passado. Durante as gestões de Marconi Perillo, o Estado assumiu a responsabilidade de realizar as obras mais complexas e caras da história da Saneago, com o objetivo claro de acabar com a sombra do racionamento.

A estratégia não foi fazer operações provisórias com caminhões-pipa, mas sim construir monumentos de engenharia hídrica. Entre os marcos que mudaram a segurança hídrica em Goiás, destacam-se:

1. A construção da Barragem do João Leite

A maior obra de segurança hídrica da história de Goiás, planejada e executada para garantir água para a Região Metropolitana de Goiânia pelos próximos 50 anos, a barragem formou um lago colossal capaz de armazenar 130 bilhões de litros de água. Sem a visão e a coragem de executar o João Leite, a capital e as cidades vizinhas estariam hoje vivendo sob racionamentos severos e diários.

2. O Sistema Produtor Corumbá IV (Entorno do DF)

A região do Entorno do Distrito Federal sempre foi o calcanhar de Aquiles do abastecimento, devido à sua explosão demográfica. Foi na gestão de Marconi que se estabeleceu a parceria estratégica e o planejamento do sistema Corumbá IV, desenhado para captar e tratar água do Lago Corumbá, com o objetivo de pôr fim definitivo à escassez crônica em cidades como Luziânia, Valparaíso, Cidade Ocidental e Novo Gama.

3. Fortalecimento da Saneago e expansão do esgoto

Enquanto muitas empresas de saneamento no Brasil foram sucateadas, o Estado trabalhou para fortalecer a Saneago, transformando-a em uma das melhores empresas de economia mista do país. Os investimentos massivos elevaram exponencialmente os índices de coleta e tratamento de esgoto em Goiânia e nos principais polos do interior, retirando milhares de famílias da convivência com esgotos a céu aberto.

Como modernizar o saneamento básico em Goiás?

Para garantir que o saneamento básico em Goiás atinja a universalização (100% dos lares atendidos), o Estado não pode travar os investimentos. O desafio da atualidade exige inteligência e tecnologia.

A modernização passa por instalar smart grids (redes inteligentes com sensores) para detectar e conter vazamentos em tempo real, criar programas de subsídios para que famílias de baixa renda consigam pagar as taxas de ligação à rede de esgoto e implementar políticas severas de recuperação das nascentes do Cerrado. Cada metro de cano enterrado hoje é uma criança que não vai parar no hospital amanhã. Saneamento é a obra que não aparece nas fotos — mas é a que sustenta tudo o resto.

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