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O comerciante que abre as portas de manhã em Goiânia, Anápolis ou Rio Verde sabe de onde vem o aperto. O fornecedor pede pagamento à vista. O cliente quer parcelar em seis vezes. A conta de luz subiu. O lucro do mês some entre o boleto e a folha de pagamento. Quando ele procura um banco para ajudar, descobre que crédito para pequeno empreendedor em Goiás é caro, demorado e exige garantias que ele não tem.

É a realidade de quem segura a economia das cidades goianas. A padaria do bairro, o salão de cabeleireiro, a oficina mecânica e a costureira que atende em casa empregam mais gente em Goiás do que qualquer multinacional instalada no estado. Mesmo assim, são os que menos enxergam dinheiro público chegar até a porta.

Entender por que o crédito não chega e saber em qual instituição buscar ajuda hoje é o primeiro passo para virar essa conta.

Por que o crédito não chega ao pequeno negócio em Goiás

A dificuldade do pequeno empreendedor goiano não vem de falta de capacidade. Vem de um sistema desenhado para grandes operações. Três travas concretas seguram quem está começando.

A primeira é o custo do dinheiro. Quando o comerciante precisa repor estoque ou comprar uma máquina, as taxas dos bancos comerciais engolem qualquer margem. Muitos terminam recorrendo ao cartão de crédito pessoal, que cobra os juros mais altos do mercado, e entram em uma espiral de dívida da qual não saem mais.

A segunda é a exigência de garantias. O banco pede imóvel ou veículo no nome do solicitante. O jovem que abriu um negócio de delivery, a doceira que trabalha da própria cozinha e a manicure que atende em domicílio dificilmente têm um bem registrado para oferecer. Sem garantia real, o pedido é recusado antes mesmo de chegar à análise.

A terceira é o tempo perdido com burocracia. Licenças que demoram meses, papelada repetida em órgãos diferentes. O que deveria ser energia para vender vira tempo gasto em fila.

O que o Banco do Povo ensinou sobre microcrédito em Goiás

Nem sempre foi assim. Criado em 1999, primeiro ano da gestão de Marconi Perillo, e mantido como bandeira ao longo dos seus quatro mandatos (1999–2006 e 2011–2018), o Banco do Povo foi um programa estadual desenhado para colocar dinheiro na mão do microoempreendedor. O modelo funcionou por três decisões práticas que ainda hoje servem de referência para políticas de crédito para pequenos empreendedores em Goiás.

A primeira foi cobrar juros bem abaixo dos praticados pelos bancos comerciais. O Estado assumia parte do custo da operação porque entendia que o retorno viria em forma de comércio funcionando, vaga aberta e tributo recolhido. Não era subsídio sem contrapartida. Era o reconhecimento de que apoiar o pequeno negócio rende mais para o caixa público do que financiar grandes obras pontuais.

A segunda foi resolver o problema da garantia com o aval solidário. Grupos de comerciantes do mesmo bairro, da mesma feira ou da mesma profissão fiavam uns aos outros. A garantia deixou de ser uma escritura e passou a ser a palavra do vizinho. Cabeleireiros, feirantes, costureiras e artesãos que nunca tinham entrado em um banco passaram a ter acesso a crédito formal.

A terceira foi a prioridade para mulheres empreendedoras. A decisão se sustentava em dado de campo: mulheres pagavam mais e melhor, e o dinheiro do crédito voltava para a casa, para a escola dos filhos e para o próprio negócio. O programa virou política de geração de renda familiar, não só de fomento empresarial.

O Banco do Povo não é nostalgia. É caso documentado de que dá para fazer microcrédito sério com dinheiro do Estado, sem inadimplência descontrolada e com retorno social mensurável.

Onde conseguir crédito para pequeno empreendedor em Goiás hoje

GoiásFomento: a porta estadual de microcrédito

A Goiás Fomento é a Agência de Fomento do Estado de Goiás, com sede na Avenida Anhanguera, 5.311, em Goiânia. Opera o programa Mais Crédito, com empréstimos de até R$ 30 mil para micro e pequenas empresas — e uma linha de juros zero para valores de até R$ 5 mil, voltada ao microempreendedor individual. O atendimento é estadual, com convênios firmados com prefeituras, e a proposta pode ser feita presencialmente ou pela internet. Para quem está formalizado como MEI ou microempresa, é a primeira porta a bater.

Fampe do Sebrae e Fundeq: garantia para quem não tem bens no nome

O Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), operado pelo Sebrae em parceria com bancos, resolve exatamente o problema da garantia. O empreendedor apresenta o projeto, e o Fampe entra como garantidor de parte da operação, destravando crédito que, sem o aval, seria negado.

Para quem não tem nem mesmo avalista, há ainda o Fundeq (Fundo Estadual de Equalização para o Micro e Pequeno Empreendedor), criado com recursos do Governo de Goiás e operado em conjunto com a GoiásFomento. O fundo cobre tanto garantia quanto subsídio de juros, dependendo da linha contratada. O Sebrae Goiás tem unidades em Goiânia, no Entorno do DF e nas principais regiões do estado.

Cooperativas de crédito: o atendimento local

Cooperativas como Sicredi e Sicoob operam com lógica diferente da dos grandes bancos. O cooperado é também dono da instituição, as taxas costumam ser menores e o gerente conhece o comércio da rua. Para quem movimenta dinheiro na própria cidade, costuma ser o caminho mais rápido para capital de giro e financiamento de maquinário.

O que ainda precisa mudar no apoio ao pequeno negócio

O comércio mudou. Hoje, ajudar o pequeno empreendedor goiano não é só emprestar dinheiro para comprar mercadoria. É garantir que ele consiga vender pela internet, gerenciar estoque com aplicativo, anunciar nas redes e emitir nota fiscal sem perder a manhã. Esse apoio ainda não chegou na escala que Goiás precisa.

O caminho passa por três frentes:

  • Microcrédito específico para modernização digital, com valores menores e liberação rápida, voltado para computador, maquininha, gestão de estoque e impulsionamento de anúncios.
  • Consultoria contábil e jurídica gratuita por meio das universidades estaduais, transformando alunos em ponte entre o microempreendedor e a obrigação fiscal.
  • Portal único do empreendedor goiano, que reúna num só lugar o que hoje está espalhado por diferentes órgãos. 

Quem já governou Goiás sabe que o motor da economia goiana não está nos grandes anúncios. Está na costureira que abre a porta às sete, no mecânico que atende sábado de manhã e na feirante que monta a barraca na madrugada. Apoiar quem segura essa engrenagem não é gasto: é o investimento de maior retorno em emprego e renda para o estado.

E você? Tem alguma ideia sobre como melhorar a situação dos microoempreendedores em Goiás? Acesse avancagoias.com.br e envie sua contribuição.

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