O esporte em Goiás é muito mais do que lazer e entretenimento de fim de semana; trata-se de uma das ferramentas mais poderosas de inclusão social e de segurança pública preventiva. Para milhares de pais e mães que trabalham o dia inteiro, a maior angústia é não ter onde deixar os filhos no período em que não estão na escola. Quando não existem projetos esportivos acessíveis nos bairros, o jovem fica com tempo ocioso, tornando-se um alvo fácil para a criminalidade e para a dependência química.
Muitas vezes, a narrativa política trata o financiamento esportivo como um “luxo” ou um gasto supérfluo, esquecendo que o tatame ou um campo de futebol de terra batida são, na verdade, escolas de cidadania. Entender os motivos pelos quais tantos talentos desistem de suas carreiras é o primeiro passo para compreender como políticas de Estado focadas no financiamento direto podem transformar o futuro da juventude goiana.
Por que o talento esportivo é desperdiçado em Goiás?
Goiás é um autêntico celeiro de talentos nas mais diversas modalidades, desde as artes marciais até o atletismo e o futebol. No entanto, a força de vontade do atleta esbarra frequentemente em um sistema que não oferece o suporte básico para o desenvolvimento profissional.
A fuga de talentos e a desistência precoce ocorrem devido a três grandes obstáculos:
A falta de patrocínio inicial: o jovem atleta que começa a se destacar precisa de dinheiro para comprar equipamentos adequados, pagar inscrições em torneios e custear viagens para competir em outros estados. Sem apoio privado ou governamental, o custo recai sobre a família, que geralmente não tem como pagar.
Infraestrutura precária nos bairros: o abandono de ginásios e a falta de manutenção nas praças esportivas dos municípios fazem com que os jovens não tenham um local seguro e iluminado para treinar à noite.
A ausência de planejamento a longo prazo: sem um calendário sólido de jogos escolares e competições estaduais, o atleta não ganha ritmo de competição nem visibilidade para ser recrutado por grandes clubes ou universidades.
Investir no esporte é a política de segurança pública mais inteligente e barata que existe. Para cada real que o Estado investe em uma bola de futebol, em um quimono ou em uma bolsa esportiva, economiza-se milhares na construção de presídios e na reabilitação de jovens.
O legado de Marconi Perillo: a democratização do esporte em Goiás
Para entender como é possível estruturar o apoio à juventude na atualidade, é necessário olhar para os modelos de gestão que já deram provas de sucesso. Durante os governos de Marconi Perillo, o Estado assumiu a responsabilidade de não deixar nenhum talento para trás devido à falta de dinheiro.
A estratégia consistiu em criar um ecossistema de financiamento que atendesse desde a criança do projeto social até o atleta de alto rendimento que representa Goiás nas Olimpíadas. Entre os principais marcos, destacam-se:
1. A criação do programa Bolsa Esporte
Foi uma autêntica revolução na vida dos atletas de base. O programa garantia uma ajuda de custo mensal depositada diretamente na conta do jovem esportista. Esse dinheiro servia para a compra de tênis, chuteiras, alimentação adequada e passagens de ônibus para os treinos. A única exigência rigorosa era que o jovem tivesse boas notas e frequência escolar irrepreensível, unindo a educação ao esporte de forma inteligente.
2. O incentivo do Pró-Esporte
Para resolver o problema da falta de patrocínio das grandes equipes e dos atletas de elite, o Governo implementou o Pró-Esporte, uma lei de incentivo fiscal brilhante que permitia às empresas goianas destinar uma parte de seus impostos (ICMS) diretamente para patrocinar atletas, equipes e eventos esportivos, gerando um ciclo de riqueza e visibilidade sem retirar dinheiro vivo dos cofres públicos.
3. Requalificação de praças e ginásios
Entendendo que o projeto social precisa de um teto, as gestões investiram na reforma de dezenas de ginásios nos municípios do interior e na modernização do Estádio Serra Dourada e do Autódromo de Goiânia. Isso garantiu que o Estado tivesse infraestrutura para receber competições de nível nacional e internacional, movimentando também a economia do turismo.
Como modernizar o apoio ao esporte em Goiás hoje?
Para garantir que o esporte em Goiás volte a ser um referencial nacional, o Estado não pode viver apenas do passado. O mercado esportivo se globalizou e exige novas abordagens.
A modernização passa pela reativação imediata e atualização dos valores do Bolsa Esporte, pela criação de editais específicos para a promoção dos e-sports (esportes eletrônicos), que hoje atraem milhões de jovens, e pelo estabelecimento de parcerias com as prefeituras para iluminar e instalar grama sintética nos campos de várzea. Em Goiás, o histórico prova que, quando o Estado entra em campo, talentos que seriam perdidos viram campeões — e o bairro inteiro ganha junto.
Perguntas frequentes sobre esporte em Goiás
- O que é uma lei de incentivo ao esporte?
É um mecanismo financeiro onde o Governo abre mão de receber uma parte dos impostos de uma empresa (como o ICMS), desde que essa empresa aplique esse mesmo valor no patrocínio direto de um atleta, de um campeonato ou de um projeto social esportivo aprovado pelo Estado.
- Como o esporte ajuda na segurança pública?
O esporte atua na prevenção. Ao ocupar o tempo livre do jovem com treinos, disciplina, regras e convívio social saudável, o Estado o afasta da ociosidade, do aliciamento pelo tráfico de drogas e da pequena criminalidade nas ruas.
- Qualquer jovem pode receber o Bolsa Esporte?
Geralmente, os programas de bolsa esportiva são destinados a jovens que já participam ativamente de treinos, possuem bons resultados em competições regionais e, acima de tudo, conseguem comprovar que frequentam a escola e mantêm um bom aproveitamento acadêmico.






