A busca pelo primeiro emprego em Goiás é, para a grande maioria dos jovens, um verdadeiro teste de paciência e resiliência. Após terminarem o ensino médio, milhares de adolescentes entram em uma corrida desigual: distribuem dezenas de currículos, mas se deparam sempre com a mesma barreira intransponível. O mercado exige experiência prévia, mas ninguém oferece a primeira oportunidade para que essa experiência seja construída.
Essa frustração não afeta apenas o jovem, mas também os pais, que muitas vezes não têm condições financeiras para sustentar o filho na transição para a vida adulta. Mas como o Governo do Estado pode quebrar esse ciclo e atuar como uma ponte entre o adolescente e a empresa? Compreender os motivos pelos quais a contratação de jovens caiu é o primeiro passo para entender como políticas públicas de inserção no mercado podem transformar o futuro de uma geração inteira.
Por que as empresas não contratam jovens sem experiência em Goiás?
A dificuldade de inserção da juventude no mercado de trabalho não é má vontade dos empresários, mas sim um reflexo das condições econômicas e da falta de incentivos do poder público. Quando o Estado não oferece mecanismos de apoio, a empresa privada hesita em contratar por três motivos estruturais:
O custo invisível de treinamento: treinar um jovem que nunca esteve em um ambiente corporativo exige tempo e dedicação de outros funcionários mais experientes. Para pequenas e médias empresas, esse “tempo de ensino” representa um custo financeiro que muitas não podem assumir sozinhas.
Falta de qualificação técnica alinhada: o ensino médio tradicional, na maioria das vezes, não ensina competências básicas exigidas pelo mercado de hoje, como o domínio de planilhas de Excel, redação empresarial, noções de atendimento ao público ou informática básica.
Riscos trabalhistas e burocracia: sem programas estaduais que subsidiem parte do salário ou reduzam os impostos sobre a folha de pagamento (encargos sociais), assinar a carteira de um jovem sem experiência torna-se um risco muito alto para o empregador.
A porta do mercado de trabalho é pesada demais para um jovem abri-la sozinho. O Estado tem o dever moral de colocar a mão na maçaneta, criando programas que subsidiem o primeiro contrato e garantam que o filho do trabalhador tenha as mesmas oportunidades que os jovens das classes mais altas.
O legado de Marconi Perillo: o programa Jovem Cidadão
Para entender como resolver o desemprego juvenil hoje, precisamos resgatar o modelo de maior sucesso já implementado na história da administração goiana. Durante as gestões de Marconi Perillo, o Governo de Goiás não ficou de braços cruzados esperando que o mercado resolvesse o problema e criou o programa Jovem Cidadão.
Reconhecido como uma das experiências mais bem-sucedidas de primeiro emprego do país, ele mudou a matriz social de Goiás ao focar na inclusão produtiva com responsabilidade educacional rigorosa. O programa se sustentava em três pilares inegociáveis:
1. A primeira carteira de trabalho assinada
O Jovem Cidadão garantiu a contratação formal de adolescentes (entre 14 e 17 anos), assegurando meio salário mínimo, férias e décimo terceiro. Para milhares de famílias de baixa renda, essa foi a primeira vez que um filho teve a carteira de trabalho assinada (CTPS), resgatando a autoestima e a dignidade do adolescente.
2. O vínculo obrigatório com a sala de aula
O programa combatia a evasão escolar. Para manter o emprego e o salário no final do mês, o jovem era estritamente obrigado a estar matriculado, ter boas notas e frequência escolar no ensino regular. Ele trabalhava em um turno (nas repartições públicas ou em empresas parceiras) e estudava no outro, garantindo que o trabalho não atrapalhasse seu futuro acadêmico.
3. Parcerias com a iniciativa privada
O Governo do Estado iniciou o programa absorvendo milhares de jovens na própria máquina pública, mas rapidamente expandiu o projeto por meio de parcerias com bancos, supermercados e indústrias. O Estado subsidiava parte dos custos e oferecia suporte administrativo às empresas que abrissem suas portas para os jovens aprendizes goianos.
O impacto do primeiro salário na economia local
Muitos economistas focam apenas no custo dos programas sociais, mas esquecem do retorno imediato. O salário pago ao jovem aprendiz não fica parado na conta bancária ou em aplicações financeiras. Esse dinheiro vai diretamente para o consumo.
O jovem utiliza seu primeiro salário para comprar roupas no comércio local, ajudar no pagamento da conta de luz de casa, pagar um curso de inglês ou fazer compras no supermercado do bairro. Financiar o primeiro emprego é, na prática, uma injeção direta de capital que faz a economia da própria cidade girar mais rápido.
Como o Estado deve apoiar o primeiro emprego em Goiás hoje?
Para garantir que o acesso ao primeiro emprego em Goiás volte a ser uma realidade massiva, o Estado precisa modernizar seus programas e olhar para as profissões do futuro. O mercado de trabalho mudou drasticamente com a revolução digital.
O próximo passo na formulação de políticas públicas exige a criação de um “Primeiro Emprego Digital”. O Governo deve financiar bolsas de trabalho para jovens em áreas de tecnologia (programação, gestão de redes sociais, suporte técnico de TI), em parceria com o Sistema S (Senai, Senac) e polos tecnológicos locais. Além disso, é urgente criar leis de incentivo fiscal reais (redução de ICMS, por exemplo) para empresas goianas que comprovem a contratação de jovens aprendizes.
Quando Goiás abre a porta do mercado para o jovem, ele não entra sozinho — e não sai mais.
Perguntas frequentes sobre primeiro emprego em Goiás
- Qual a idade mínima para o primeiro emprego?
De acordo com a Lei da Aprendizagem, jovens a partir dos 14 anos já podem ser contratados formalmente na condição de Jovem Aprendiz, com direitos trabalhistas e carga horária reduzida para não atrapalhar os estudos.
- O que as empresas mais exigem no primeiro emprego?
Como o candidato não tem experiência prévia, as empresas valorizam muito a postura comportamental (pontualidade, vontade de aprender, comunicação clara) e conhecimentos básicos em informática e atendimento ao público.
- Programas do governo realmente ajudam a conseguir vaga?
Sim. Programas históricos como o Jovem Cidadão provaram que, quando o Governo do Estado subsidia a contratação e oferece segurança jurídica para as empresas, milhares de vagas que antes não existiam passam a ser abertas imediatamente para a juventude.






