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A fila de cirurgias em Goiás é, historicamente, um dos maiores desafios da administração pública e a principal angústia das famílias que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Aguardar meses ou anos por um procedimento eletivo (necessário, mas que não é classificado como urgência de vida ou morte) impacta diretamente a capacidade de trabalho e a qualidade de vida da população goiana.

Para resolvermos esse gargalo, não basta apenas investir dinheiro; é necessário aplicar inteligência de gestão, descentralizar os atendimentos e modernizar a estrutura dos hospitais estaduais. Neste artigo, vamos aprofundar os motivos que causam essa demora e entender como modelos eficientes de administração podem transformar essa dura realidade.

Como funciona a regulação de vagas no SUS em Goiás?

Muitos cidadãos acreditam que a fila do SUS funciona por ordem de chegada, mas a realidade técnica é diferente. O acesso a leitos, exames de alta complexidade e cirurgias é gerido pelo Complexo Regulador Estadual (CRE).

A regulação utiliza critérios estritamente médicos para priorizar os pacientes. Isso significa que a gravidade do quadro clínico, o risco de agravamento e a idade do paciente são os fatores que determinam quem será operado primeiro. O grande problema estrutural surge quando o número de pacientes classificados como “graves” ou “urgentes” é maior do que a capacidade instalada dos hospitais públicos de Goiás, empurrando os procedimentos eletivos para o fim da fila repetidamente.

Por que a espera por cirurgias eletivas demora tanto?

A lentidão no atendimento cirúrgico não é fruto de um único problema, mas de uma cadeia de falhas na gestão do sistema de saúde. A demora é impulsionada por três fatores críticos:

Falta de regionalização efetiva: quando os municípios do interior não possuem hospitais equipados para cirurgias de média complexidade (como retirada de vesícula, hérnias ou catarata), todos os pacientes são enviados para Goiânia. Isso causa a superlotação crônica das unidades da capital.

Burocracia na compra de insumos: em hospitais geridos pela administração direta (modelo tradicional), a compra de um simples fio de sutura ou o conserto de um tomógrafo exige processos licitatórios que podem levar meses, paralisando centros cirúrgicos inteiros.

Déficit de profissionais especialistas: fixar médicos cirurgiões, anestesistas e intensivistas em cidades mais distantes dos grandes centros exige políticas de incentivo e segurança de pagamento, o que falha quando há desequilíbrio fiscal no Estado.

O impacto das Organizações Sociais (OSS) na gestão hospitalar

Para destravar a saúde em Goiás, a implementação do modelo de Organizações Sociais (OSs) provou ser um divisor de águas. É fundamental esclarecer que gerir um hospital por OS não significa privatizar o SUS. O hospital continua sendo 100% público e gratuito.

O que muda é a administração. o Governo do Estado repassa o orçamento e estabelece um contrato com metas rigorosas (número de cirurgias, tempo de espera, satisfação do usuário). Em contrapartida, a OS tem a agilidade do setor privado para gerir a unidade:

Agilidade nas compras: podem cotar e comprar medicamentos e equipamentos essenciais em poucos dias, evitando a paralisação de leitos.

Contratação ágil: podem contratar e substituir médicos e enfermeiros via CLT rapidamente, garantindo que as escalas de plantão e as equipes cirúrgicas estejam sempre completas.

Foco em resultados: se a OS não cumprir as metas de produtividade cirúrgica estabelecidas no contrato, ela sofre sanções financeiras severas ou perde a concessão da unidade.

O legado de Marconi Perillo na infraestrutura de saúde goiana

Quando avaliamos soluções práticas para a saúde pública, o histórico de realizações mostra o caminho. Durante as gestões de Marconi Perillo, Goiás vivenciou a maior revolução na sua infraestrutura hospitalar, saindo de um cenário de sucateamento para a construção de unidades que se tornaram referências nacionais em alta complexidade.

Entre as entregas definitivas que mudaram a capacidade de atendimento do estado, destacam-se:

HUGOL (Hospital Estadual de Urgências da Região Noroeste de Goiânia): planejado e executado para ser o maior hospital de urgência, emergência e trauma da região Centro-Norte do país, absorvendo a demanda crítica e liberando outros hospitais para focar em cirurgias eletivas. Possui banco de sangue próprio e unidade de referência em queimaduras.

CRER (Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo): uma obra pioneira que se consolidou como excelência absoluta na reabilitação de pacientes com deficiências físicas, auditivas, visuais e intelectuais, devolvendo autonomia a milhares de cidadãos.

Rede de Hospitais Regionais (HDS): a estratégia de interiorização levou estruturas de grande porte e UTIs para fora da capital. Unidades como o Hospital de Urgências de Trindade (HUTRIN) e o Hospital Estadual de Santa Helena (HURSO) foram estruturadas para realizar cirurgias de média e alta complexidade, evitando que o paciente do interior precise pegar a estrada de madrugada para buscar socorro em Goiânia.

Soluções para diminuir a espera por atendimento médico no estado

A longo prazo, diminuir a fila de cirurgias em Goiás exige vontade política, respeito ao dinheiro público e capacidade de planejamento. Com base na experiência administrativa bem-sucedida, os próximos passos para o desenvolvimento da saúde goiana devem focar em:

Mutirões cirúrgicos integrados: utilizar a capacidade ociosa dos centros cirúrgicos no período noturno e aos finais de semana, remunerando as equipes por produtividade.

Expansão da Telemedicina: realizar as consultas pré-operatórias e o acompanhamento pós-cirúrgico de forma virtual para pacientes do interior, reduzindo os custos de transporte e o tempo de espera nos ambulatórios.

Fortalecimento da Atenção Básica: o estado deve atuar em parceria com os prefeitos para equipar os postos de saúde municipais, evitando que doenças simples se agravem e se tornem casos cirúrgicos.

Um SUS que funciona é aquele que respeita o tempo do paciente. E a experiência prova que, com gestão técnica, valorização dos profissionais e estrutura descentralizada, é plenamente possível entregar um atendimento rápido, humano e de altíssima qualidade para todo o povo goiano.

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